Impostos sobre cripto na Alemanha
Regras verificadas em setembro de 2026.
Curto prazo
Taxa marginal (até 45% + Soli)
Longo prazo
Isento
Limiar
Mais de 1 ano
Isenção anual
Freigrenze €1.000/ano
Método de custo
FIFO, por carteira/corretora
Legislação
EStG § 23 Abs. 1 Nr. 2; BMF-Schreiben Kryptowerte (10.05.2022, 06.03.2025)
Em resumo
A Alemanha é dos países mais favoráveis: ganhos de cripto detida mais de 1 ano são isentos. Para detenção inferior, aplica-se a taxa marginal pessoal (até 45%, mais o Soli de 5,5% sobre o imposto, quando devido). Freigrenze de €1.000 por ano: abaixo disso nada tributa, a partir daí tributa tudo. Atenção: em 2026 o governo apresentou um projeto para acabar com a isenção após 1 ano para cripto comprada a partir de 2027; enquanto não for publicado, as regras acima mantêm-se.
Pontos a reter
- Taxa 0% para detenção > 1 ano
- Taxa marginal pessoal (até 45% + Soli 5,5%) para < 1 ano
- Freigrenze €1.000/ano (era €600 até 2023): a partir de €1.000 tributa tudo
- FIFO por carteira (admitido pelo BMF; a regra por defeito é o custo médio)
- Staking/lending: rendimento tributável acima de €256/ano; o prazo de 1 ano mantém-se (a regra dos 10 anos foi afastada pelo BMF em 2022)
- Declarar na Anlage SO
- Reforma em discussão (2026): fim do prazo de 1 ano e taxa fixa ~25% para compras a partir de 2027, ainda não é lei
Como demonstrar que tens a cripto há mais de um ano
Na Alemanha, o ganho de uma venda privada de cripto só fica isento se a cripto tiver sido detida durante mais de um ano (§ 23 EStG). Abaixo disso, o ganho é tributado à tua taxa marginal, com a Freigrenze de €1.000 por ano para o conjunto das vendas privadas. Tal como em Portugal, a dificuldade não está na regra, está em demonstrar a data de cada compra.
O que a lei diz
O contribuinte tem o dever de colaborar e de esclarecer os factos que declara (§ 90 AO), e é a ele que cabe demonstrar o que lhe é favorável, como a isenção por prazo. A circular do Ministério das Finanças sobre cripto (BMF-Schreiben de 10 de maio de 2022, atualizada a 6 de março de 2025) descreve os deveres de registo e o que a administração fiscal espera ver: para cada operação, a data, a quantidade, o valor em euros e a carteira ou plataforma envolvida. A circular admite relatórios e extratos das plataformas e registos da blockchain como documentação, se forem plausíveis e completos (n.º 90), e diz expressamente que a falta de registos, por exemplo por insolvência da plataforma, corre por conta do contribuinte (n.º 89).
O que convém guardar, por cada compra
Data, quantidade e valor em euros. Na prática: o histórico de ordens da plataforma (exporta-o em CSV enquanto a conta existe), o comprovativo bancário do carregamento e, se moveste a cripto para uma carteira tua, o identificador da transação na blockchain, público e com data. Um extrato bancário sozinho prova que o dinheiro saiu, não que a cripto foi comprada nesse dia.
Sparplan ou DCA: compras regulares e está tudo misturado
Para o prazo aplica-se FIFO, carteira a carteira: dentro de cada carteira ou conta, considera-se vendido primeiro o que foi comprado há mais tempo (n.º 61 da circular). Para o custo, a circular prevê por defeito o custo médio, com o FIFO admitido por simplificação; a escolha fica fixa por carteira até a esvaziares (n.º 62). Ordena as compras dessa carteira por data e soma a partir da mais antiga até chegar à quantidade vendida. O que tiver mais de um ano está isento; o resto é tributado, e a mesma venda pode ter as duas partes. Como a contagem é por carteira, mover cripto entre carteiras tuas não a torna 'mais antiga' nem 'mais recente'.
A plataforma fechou ou não dá o histórico
Reúne o que restar: emails de confirmação, extratos bancários das transferências com data e o registo na blockchain do levantamento para a tua carteira. Se a plataforma ainda existir na União Europeia, pede o histórico completo por escrito ao abrigo do RGPD. Sem nenhum registo, o prazo fica por demonstrar; fala com um Steuerberater antes de declarar.
A cripto veio de uma carteira minha, sem plataforma
A blockchain prova a data em que a cripto entrou no endereço, não o preço nem se a compra foi anterior. Junta o registo on-chain ao comprovativo da origem. Nota: se a cripto foi usada em staking ou lending, o prazo de um ano mantém-se; a regra dos dez anos foi afastada pela circular de 2022.
O que o ChainFolioAI faz
Regista cada compra com data, quantidade e preço, a partir do CSV da plataforma ou à mão, aplica FIFO ao conjunto das carteiras (ver a nota abaixo) e mostra, por cada venda, de que compras saiu, com as datas, e se passou o ano. Exportas em PDF ou Excel para a Anlage SO ou para o Steuerberater.
A circular do BMF descreve deveres de registo e exemplos de documentação, mas a apreciação é feita caso a caso pelo Finanzamt. O que está acima é a lei e a boa prática de registo; se te falta histórico de uma parte das compras, vê o caso com um Steuerberater antes de declarar.
Perguntas frequentes
Quanto se paga de imposto sobre cripto na Alemanha?
Taxa marginal (até 45% + Soli) · Isento. A Alemanha é dos países mais favoráveis: ganhos de cripto detida mais de 1 ano são isentos. Para detenção inferior, aplica-se a taxa marginal pessoal (até 45%, mais o Soli de 5,5% sobre o imposto, quando devido). Freigrenze de €1.000 por ano: abaixo disso nada tributa, a partir daí tributa tudo. Atenção: em 2026 o governo apresentou um projeto para acabar com a isenção após 1 ano para cripto comprada a partir de 2027; enquanto não for publicado, as regras acima mantêm-se.
Há isenção anual sobre mais-valias de cripto na Alemanha?
Sim, mas é um limite e não um abatimento (Freigrenze): se o total dos ganhos de vendas privadas do ano ficar abaixo de €1.000, não pagas nada; a partir de €1.000, tributa tudo.
Que método de cálculo se usa para emparelhar compras e vendas?
Depende do país: FIFO (a primeira unidade comprada é a primeira vendida) em Portugal, em Espanha, na Alemanha ou na Bélgica; preço médio ponderado em França, no Luxemburgo ou no Brasil; LIFO em Itália; pool britânico no Reino Unido. O ChainFolioAI aplica o método do país escolhido ao teu histórico (nalguns países com uma simplificação, indicada nesta página) e exporta o resultado.
Como provo ao Finanzamt que tenho a cripto há mais de um ano?
Com o registo de cada compra: data, quantidade e valor em euros. Na prática, o histórico da plataforma, o comprovativo bancário e o identificador da transação na blockchain se a moveste para uma carteira tua. A circular do BMF sobre cripto (2022, atualizada em 2025) descreve os deveres de registo e admite extratos das plataformas e registos da blockchain como documentação; a apreciação final é do Finanzamt.
Tenho um Sparplan de cripto e está tudo misturado. Como sei o que já passou o ano?
Por FIFO, dentro de cada carteira: o que foi comprado primeiro conta como vendido primeiro. Ordena as compras por data e soma a partir da mais antiga até à quantidade vendida. O que tiver mais de um ano está isento; o resto é tributado à tua taxa marginal, e a mesma venda pode ter as duas partes.
A plataforma fechou e não consigo obter o histórico. E agora?
Reúne emails de confirmação, extratos bancários das transferências e o registo na blockchain do levantamento para a tua carteira. Se a plataforma ainda existir na UE, pede o histórico por escrito ao abrigo do RGPD. Sem registos, fala com um Steuerberater antes de declarar.
Calcular sobre o teu histórico
A taxa é só metade do problema. Para declarar, precisas de emparelhar cada venda com a compra certa pelo método do país (FIFO, preço médio, LIFO…), converter para a moeda do país à data de cada operação e separar o curto do longo prazo. O ChainFolioAI faz isso a partir das tuas transações — ligas as carteiras em modo só-leitura ou importas um CSV da exchange — e exporta em PDF ou Excel.
Método deste país: FIFO, por carteira/corretora. O FIFO é aplicado por corretora ou carteira, pelo nome indicado em cada transação. As transferências entre carteiras não ficam registadas: quando uma venda não tem compras suficientes na mesma carteira, a calculadora usa as mais antigas das outras. Confirma o valor a declarar com um contabilista.
Outros países
⚠️ Informação geral, não aconselhamento fiscal. As regras mudam e a tua situação pode ter particularidades (residência, atividade profissional, staking, mineração). Confirma com um contabilista ou com a autoridade fiscal antes de declarar. O ChainFolioAI não é corretora nem prestador de serviços de criptoativos e não comunica os teus dados a nenhuma autoridade fiscal: as obrigações de reporte (DAC8, CARF) são das corretoras. Os relatórios que exportas são só teus.